Médio Tejo contabiliza 185 milhões de euros em prejuízos  

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo apresentou na quinta-feira, 5 de março, o balanço dos prejuízos registados no território na sequência da passagem da Depressão Kristin. No total, os danos apurados nos 11 municípios ascendem a cerca de 185 milhões de euros. 

CARLA PAIXÃO 

O presidente da CIM Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, manifestou a “profunda preocupação” dos municípios e defendeu a necessidade de garantir “urgentemente apoios financeiros que cheguem às autarquias”, de forma a permitir avançar com a “requalificação necessária” para que a região possa regressar “à normalidade”. 

“Ao nível das infraestruturas municipais, temos estimados cerca de 100 milhões de euros de prejuízos em todo o território. Estamos a falar de danos em estradas, aquedutos, equipamentos de lazer, espaços recreativos, escolas, infraestruturas de ensino, equipamentos de saúde e muitos outros espaços públicos que são da responsabilidade direta dos municípios”, informou Valamatos. 

Além das infraestruturas públicas, os danos nas habitações particulares e no setor empresarial também são significativos. Valamatos indicou que no caso das casas de primeira habitação, estimam-se estragos que rondam os 25 milhões de euros e acrescentou que, “até ao momento, os prejuízos nas empresas da região ascendem a cerca de 60 milhões de euros”. Somando todos os valores, a CIM Médio Tejo contabiliza cerca de 185 milhões de euros de prejuízos. 

Feitas as contas, o presidente da CIM alertou para a necessidade de apoios financeiros urgentes: “Aquilo que precisamos neste momento são apoios financeiros urgentes que possam chegar de forma objetiva aos municípios. Caso contrário, estaremos perante uma situação extremamente difícil.” 

Valamatos fez ainda referência a problemas em infraestruturas sob responsabilidade do Estado, nomeadamente estradas geridas pela Infraestruturas de Portugal (IP) e a linha ferroviária da Beira Baixa. Segundo o presidente, “existem vias que neste momento estão totalmente encerradas e outras parcialmente condicionadas”. Quanto à ferrovia, sublinhou a grande preocupação dos autarcas com o encerramento da Linha da Beira Baixa, defendendo que deve haver “a maior celeridade possível no restabelecimento da circulação normal”. 

A CIM informou ainda que os processos de apoio às famílias já começaram a avançar. No caso das casas de primeira habitação, a CCDR Lisboa e Vale do Tejo iniciou a atribuição de apoios até cinco mil euros e, em breve, avançará também para os processos entre cinco e dez mil euros. Para as empresas, os apoios têm passado pelo acionamento de seguros e linhas de apoio em articulação com entidades bancárias. 

“Precisamos urgentemente de mecanismos financeiros (…) para iniciar o processo de recuperação” 

Valamatos explicou que o levantamento dos prejuízos foi realizado por cada município e reportam a infraestruturas públicas, património cultural e associativismo. Entre os concelhos mais afetados destacam-se Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar, sendo que Ourém regista cerca de 42 milhões de euros em danos.  

“Os 100 milhões de euros de prejuízos nas infraestruturas municipais demonstram a dimensão da tragédia que vivemos. Precisamos urgentemente de mecanismos financeiros concretos e objetivos para iniciar o processo de recuperação”, reforçou Valamatos. 

Antes de encerrar a conferência de imprensa, que contou com a presença dos autarcas que lideram os municípios do Médio Tejo, Valamatos dirigiu um agradecimento às entidades que atuaram durante a crise: “Quero deixar um agradecimento muito sincero a todas as estruturas de proteção civil, aos bombeiros e a todas as entidades que estiveram no terreno durante estes dias difíceis. O trabalho desenvolvido foi absolutamente fundamental e merece o reconhecimento dos 11 presidentes de câmara e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.” 

Apesar da gravidade da situação, Valamatos destacou também o lado positivo: “O forte sentido de solidariedade e de humanismo que vimos nas nossas comunidades foi um sinal muito forte daquilo que somos enquanto região.”