Dia Internacional da Mulher | Elas na Liderança
Mulheres à frente das Freguesias
A propósito do Dia Internacional da Mulher, assinalado a 8 de março, numa altura em que, temas como a igualdade e a participação cívica continuam no centro do debate público, o Notícias de Ourém dá voz a três autarcas do concelho oureense onde a liderança é feminina: Ângela Marques, em Seiça, Dulce Mateus, em Espite, e Engrácia Carriço, em Alburitel.
A partir de um guião comum, as presidentes de Junta refletem sobre o significado do Dia Internacional da Mulher, os desafios que persistem no plano profissional e familiar, a gestão de crises e o papel das autarquias na promoção de uma sociedade mais justa e igualitária.
O resultado é um conjunto de testemunhos que revela percursos distintos, visões próprias e uma ideia comum: a liderança constrói-se pela competência e pelo compromisso diário com a comunidade, mais do que no género de quem ocupa o cargo.

Que significado tem para si, enquanto cidadã e Presidente de Junta, o Dia Internacional da Mulher? Faz sentido assinalar esta data?
DM: O Dia Internacional da Mulher é, para mim, um momento de reflexão, reconhecimento e compromisso. Enquanto cidadã, representa a valorização da luta histórica das mulheres por direitos, igualdade e dignidade. Enquanto Presidente de Junta, é também um reforço da responsabilidade que tenho em contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva. Faz todo o sentido assinalar esta data, não apenas para celebrar conquistas, mas para lembrar que ainda há caminho a percorrer.
Na sua perspetiva, quais são atualmente os principais desafios que as mulheres enfrentam nos planos profissional, social e familiar?
DM: Apesar dos progressos alcançados, persistem desafios importantes. No plano profissional, a desigualdade salarial e o acesso a cargos de liderança continuam a ser questões relevantes. Socialmente, ainda enfrentamos estereótipos enraizados. No contexto familiar, muitas mulheres acumulam responsabilidades profissionais com a gestão do lar e o cuidado de filhos ou familiares, o que exige um esforço e uma resiliência acrescidos.
Que medidas ou iniciativas tem a sua Junta promovido para apoiar as mulheres e fomentar a igualdade na comunidade?
DM: A Junta tem procurado desenvolver iniciativas de proximidade, promovendo ações de sensibilização, apoio social e atividades que incentivem a participação cívica das mulheres. Trabalhamos em articulação com associações locais para apoiar famílias em situação de vulnerabilidade, muitas delas chefiadas por mulheres, e procuramos garantir igualdade de oportunidades em todas as iniciativas promovidas pela freguesia.
Apesar dos progressos alcançados, persistem desafios importantes. No plano profissional, a desigualdade salarial e o acesso a cargos de liderança continuam a ser questões relevantes. Socialmente, ainda enfrentamos estereótipos enraizados.
Considera que a liderança no feminino traz uma abordagem diferente à gestão pública local? Em que aspetos?
DM: Acredito que cada pessoa lidera com base na sua personalidade e experiência. No entanto, reconheço que muitas mulheres trazem para a gestão uma forte componente de empatia, escuta ativa e capacidade de conciliação. Essa abordagem pode favorecer uma governação mais participativa e próxima da comunidade.
Ao longo do seu percurso, sentiu que enfrentou desafios específicos por ser mulher?
DM: Sim, senti que, por vezes, tive de provar mais a minha competência e firmeza. Superei esses desafios com trabalho, dedicação e confiança nas minhas capacidades. O reconhecimento vem com consistência e resultados.
Tomando como ponto de partida o recente desafio das tempestades que assolaram a região, acredita que a “sensibilidade” ou a “força” feminina influenciam a gestão de crises?
DM: Em momentos de crise, o mais importante é a capacidade de decisão, a serenidade e o sentido de responsabilidade. A chamada “sensibilidade feminina” pode traduzir-se numa maior atenção às pessoas e às suas necessidades, o que considero uma mais-valia. A força, essa, não tem género — nasce do compromisso com a comunidade.
O que ainda falta conquistar em termos de igualdade e como podem as autarquias locais contribuir para essa mudança?
DM: Falta consolidar uma verdadeira igualdade de oportunidades, eliminar preconceitos e promover uma cultura de respeito mútuo. As autarquias locais têm um papel fundamental, pois estão mais próximas das populações. Podem promover políticas inclusivas, apoiar redes de solidariedade e criar espaços de participação ativa para as mulheres.
Como é que caracteriza as mulheres da sua freguesia?
DM: As mulheres da nossa freguesia são trabalhadoras, resilientes e profundamente dedicadas às suas famílias e à comunidade. São pilares fundamentais no dinamismo associativo, na educação e na vida social local.
Que mensagem gostaria de deixar neste Dia Internacional da Mulher?
DM: Que nunca deixemos de acreditar na nossa capacidade de transformar a realidade. Que continuemos a apoiar-nos mutuamente e a inspirar as gerações mais jovens a sonhar e a concretizar. O Dia Internacional da Mulher é um símbolo de luta, mas também de esperança e construção coletiva de um futuro mais igual.
CP
Nota de redação
Alertamos os nossos leitores para o erro de paginação deste trabalho na edição imprensa do jornal Notícias de Ourém de 06 de março de 2026, que desde já lamentamos. O nosso pedido de desculpa a todas as intervenientes.

