“Só me calarei quando  todas as pessoas  tiverem luz” 

Autarcas exigem “celeridade e robustez” na intervenção 

Sete mil pessoas sem eletricidade, em Ourém, duas mil e quinhentas em Ferreira do Zêzere e mil em Tomar. Duas semanas após a tempestade Kristin, há ainda muita gente sem eletricidade na região. Face à situação vivida, que tantos danos trouxe à região, a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) deu uma conferência de imprensa na passada terça-feira, à tarde, para dar conta do estado em que está a recuperação. 

Por Aurélia Madeira

Na mesa, para além do presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, estiveram os presidentes das Câmaras de Ourém e Ferreira do Zêzere, a vice-presidente da Câmara de Tomar, os presidentes da AIP (Associação Industrial Portuguesa) e da Nersant, respetivamente, José Eduardo Carvalho e Rui Serrano, e, ainda, David Lobato, Comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo. 

“Grau de fragilidade muito elevado” 

O presidente da CIM Médio Tejo e da Câmara Municipal de Abrantes, destacou a lentidão na resposta aos municípios mais afetados na região, pedindo uma maior celeridade e robustez, até porque, passado todo este tempo, a situação mantém ainda um “grau de fragilidade muito elevado”, afetando profundamente as populações e as empresas. É preciso ter em conta que, atualmente, mais de 10.000 pessoas continuam sem eletricidade (7.000 em Ourém, 2.500 em Ferreira do Zêzere e 1.000 em Tomar) e o acesso às redes fixa e móvel continua muito limitado ou é inexistente em algumas zonas. O presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, fez o ponto de situação do concelho, começando por dizer que esta região (Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar) “foi tão ou mais afetada que as regiões que têm sido mais mediatizadas”.  

Pede, por isso, que as entidades que têm a obrigação  de repor a energia e as comunicações, “olhem para estes concelhos como eles merecem ser olhados, sem privilegiarem uns em detrimento de outros”. 

O autarca recorda que Ourém tem cerca de mil quilómetros de estradas, sendo que, desses, ”800 quilómetros foram totalmente impedidos”, de modo a que ”nem uma bicicleta passava nessas estradas”. Contudo, ”em três dias conseguimos disponibilizar toda a rede viária do nosso concelho, seja a principal, seja a secundária, para que as pessoas pudessem circular em condições”. Por outro lado, continua Albuquerque, “ficámos sem água, sem eletricidade e sem comunicações. Quatorze dias depois, podemos dizer que a água está reposta a 99,8%. Por isso, “o nosso principal problema é a falta de energia elétrica em cerca de 11% de habitações do concelho.  

Artigo completo na edição do Notícias de Ourém 13 de fevereiro de 2026