Presidente da ACISO visitou parque industrial e descreve cenário “desolador”  

“Em algumas fábricas, parece que lhes passou um gigante por cima” 

A tempestade que atingiu a região centro nas últimas semanas deixou um rastro de destruição nas zonas industriais de Ourém, afetando gravemente a atividade económica local. O presidente da ACISO (Associação Empresarial Ourém-Fátima), Pedro Mafra, visitou o parque industrial para avaliar os danos e descreve um cenário preocupante 

Carla Paixão

“Esta manhã passei novamente nas zonas industriais para tentar perceber como é que estava o ritmo de recuperação das empresas, das limpezas, da reposição”, afirmou. Segundo Pedro Mafra, o que se observa é maquinaria ainda a remover destroços e lixo, ferragens retorcidas espalhadas pelo chão e edifícios em ruínas. “Algumas fábricas, parece que lhes passou um gigante por cima… dá dó. Muitas estão ainda completamente destelhadas”, lamentou. 

O presidente da ACISO notou que há empresas que ainda não têm eletricidade nem acesso à internet, dependendo de geradores industriais, cujo combustível aumenta significativamente os custos operacionais. “São custos muito elevados… custos que as empresas têm de suportar, correndo os riscos dos roubos a que estão sujeitas”, acrescentou. 

Pedro Mafra sublinha ainda que cada fábrica afetada representa perdas, não apenas para os empresários, mas também para várias famílias que dependem do funcionamento dessas empresas. “O facto de a empresa não estar a produzir afeta muitas famílias”, afirmou. Por outro lado, também as empresas dependem dos trabalhadores. 

“Hoje estive numa empresa em que todos os trabalhadores foram mobilizados para reparar telhados e reconstruir paredes. Uma das fachadas do edifício foi completamente empurrada para a frente, embora se acreditasse que a estrutura fosse sólida. Um muro caiu, partes do telhado voaram e desapareceram, e a chuva entrou no interior. Têm muito trabalho pela frente antes de poderem retomar a produção”, contou o presidente da ACISO, descrevendo um cenário “desolador”. 

A recuperação da rede elétrica e das telecomunicações é igualmente lenta. Pedro Mafra refere que “é impressionante a quantidade de cabos de eletricidade que continuam no chão, postes partidos, cabos de telecomunicações rasgados”. Apesar de algumas comunicações por voz já funcionarem, em freguesias do interior, o acesso à internet continua limitado, o que dificulta a retoma da atividade. 

Perante este panorama, o dirigente da associação empresarial alerta que a recuperação será longa e difícil. “Passados 15 dias desde a tempestade, os efeitos ainda são significativos e visíveis, e não permitem que se retome o trabalho e o funcionamento normal. Esta retoma vai demorar algum tempo, apesar dos apoios anunciados”, afirmou. 

Sobre os prejuízos globais, Pedro Mafra diz que “ainda é cedo para fazer contas” e que esses valores ainda estão por apurar. Ainda assim, não tem dúvidas de que a economia local irá ressentir-se. 

Entretanto, A ACISO disponibilizou-se para apoiar os empresários e particulares no registo de prejuízos junto da CCDR, especialmente aqueles sem acesso à internet.