A Neverending Story dos Exames
Ana Freire
A época dos exames nacionais parece um ciclo sem fim. É como correr uma maratona onde, por mais que avancemos, nunca alcançamos a linha de chegada. A cada dia, mais um exame. Mais uma prova. O relógio marca o tempo, mas, teimando em dar razão a Einstein, parece dilatar-se, nunca suficiente para absorver o peso da matéria, das expectativas, das incertezas.
Cada dia parece o último… até chegar o seguinte. Mais uma dose de nervosismo. Mais uma prova. Mais exaustão. O tempo transforma-se num espelho distorcido do que alunos e professores sentem — uma sombra constante, uma angústia persistente.
A preparação é como uma escada infinita, com degraus que se repetem sem fim.
Estudam-se fórmulas, resumos, análises, acumula-se informação que nunca parece bastar. O medo de falhar está sempre presente, assim como o receio de que o fim nunca chegue. Cada exame é um novo degrau, mas a montanha nunca parece diminuir.
É sempre “só mais um dia”, “só mais uma semana”… numa contagem que parece brincar com a esperança.
A sensação de não ter controlo sobre algo que, teoricamente, seria o ápice de todo um esforço conjunto… e o fim dos exames parece nunca mais chegar… e a angústia de não poder fazer mais por aqueles alunos nunca desaparece.
Em cada exame sinto um novo golpe no meu próprio corpo, uma extensão dos receios dos meus alunos que se refletem em mim. A pressão que sinto ao vê-los, ansiosos e cansados, é das mais difíceis de suportar. Em cada um deles, a mesma dúvida, o mesmo medo de falhar. Os exames não são apenas provas de conhecimento, mas também testes de resistência emocional e de resiliência. E a pergunta que me persegue é sempre a mesma: será que fiz o suficiente por eles?
E então, quando finalmente chega o último exame, quando esperávamos sentir alívio, o que surge é a exaustão. O que parecia interminável torna-se, de repente, pequeno.
O futuro, sempre à frente, parece uma linha no horizonte que se afasta à medida que avançamos e, por mais que lutemos, escapa-nos. A mistura de ansiedade e de receios, a luta constante para equilibrar expectativas com a realidade parece insignificante, pois o futuro, sempre um passo à frente, está à espera para ser conquistado.
Nesse vazio da exaustão, surge também a clareza: a vitória não está apenas nas respostas certas, mas na resistência invisível, na persistência silenciosa. E, embora o ciclo se repita ano após ano, algo dentro de nós muda. É essa transformação — discreta, mas profunda — que dá sentido à jornada. Mesmo quando parece que nunca chegamos ao fim.
A nossa Neverending Story não se passa em Fantasia. Passa-se aqui, numa escola perto de si, onde tudo culmina… numa folha em branco.
