CORREIO DO LEITOR
Luís David
Há cinquenta e um anos Portugal estava a dar os primeiros passos para a democracia, mas havia muitas incertezas na sociedade civil e militar. A Guiné – Bissau foi a primeira colónia a ver a sua independência reconhecida por Portugal, em 10 de setembro de 1974. Para as restantes possessões portuguesas estava em curso a descolonização que as levaria à independência. Mas a preparação para a passagem de testemunho encontrou divisões entre os povos nativos e originaram disputas internas na luta pelo poder local. Aqui, vou referir o caso de Angola que é aquele que mais nos toca.
Angola vivia um período complicado resultante da revolução portuguesa do 25 de abril de 1974, da descolonização e disputa do poder interno. Nessa época era muito perigoso andar pelas ruas de Luanda, por causa das armas mal distribuídas e dos tiroteios entre grupos rivais. Das tais balas perdidas, como então lhe chamavam muita gente correu risco de vida assim como muitos outros foram criminosamente abatidos por vingança, por mero prazer ou outras futilidades. Muita gente foi filada à falsa fé! No meio desta confusão muitos angolanos deixaram a sua terra e vieram para Portugal para não sofrerem as consequências perversas do que se estava a passar. Nessa altura ainda estavam em Angola vários contingentes do exército português cuja estada se iria prolongar até à passagem do testemunho, para a proclamação da independência de Angola, que se deu no dia 11 de novembro de 1975.
No início do ano de 1975, o soldado Manuel Pereira Antunes, do Outeiro das Gameiras, tinha vindo passar as suas férias a Portugal e em conversa com alguns amigos disse que ia para não voltar. Parece que estava a prever o seu destino fatídico! No dia seis de junho de 1975, um dia de luto para a freguesia de Espite, o Manuel foi filado e morto com uma bala no coração, quando estava de guarda ao gabinete do oficial de dia, no quartel de transmissões, onde as autometralhadoras «EBR Panhard» respondiam ao fogo dos atiradores, para os afastar daquele local. Levaram-no de urgência para o hospital de Luanda, mas já não havia nada a fazer. No dia seguinte foi vestido com a farda militar e colocado num caixão de madeira, com proteção de chumbo. Viria a ser sepultado no cemitério das Matas, com honras militares.
Deixo uma sugestão!… Para lembrar este valoroso soldado ao serviço da Pátria seria digno que se fizesse um mural no cemitério das Matas, ou noutro local apropriado, para que seja sempre lembrado por nós na nossa Terra e também pelos vindouros.
Matas, 10 de junho de 2025
