A NOSSA VIDA DESTINA-SE AO BEM 

Padre Jorge Guarda

No passado dia 10 de junho, na Escola Secundária de Ourém, teve lugar a bênção de finalistas do Agrupamento. A celebração congregou mais de meio milhar de alunos, professores e pais, que encheram por completo o pavilhão multiusos.  Como seria de esperar, os próprios jovens tiveram uma participação muito ativa, pois leram, rezaram, cantaram, aplaudiram e saudaram os colegas, quando cada um recebia a respetiva pasta.   

Tive a alegria de presidir a esta bela e significativa celebração. Nas palavras que dirigi aos jovens, na homilia, partindo da parábola de Jesus sobre os talentos, foquei este tema, lembrando que a todos, embora na diversidade, Deus concede talentos. Temos a tarefa de os reconhecer com gratidão e de os fazer render com esforço e sentido de responsabilidade. Eles são-nos dados para os desenvolvermos e com eles contribuirmos, cada um na sua parte, para tornar melhor a nossa humanidade. Tendo presente o caso do que recebeu um só talento e, por medo, o guardou e não o fez render, apelei aos jovens para que nunca se deixem desanimar pelo pensamento negativo de não ter talentos como outros, nem pela inveja ou pelo medo. E não percam a autoestima e autoconfiança, mas procurem dentro de si motivação e força, peçam ajuda e confiem. Ninguém tem de ser igual e não é menos nem mais que os outros. Confiem ou procurem a Deus, que ama a todos e sempre está disponível para quem o invoca.  

Deus é efetivamente fonte da nossa confiança, pois Ele mesmo confia em nós e nos dá variados talentos. Temos todos a possibilidade de usufruir dos bens que Ele nos dá, de crescer e desenvolver capacidades e competências com que melhoramos a nossa vida e nos tornamos aptos a contribuir para tornar melhor o nosso mundo. Não podemos é ficar centrados em nós próprios, pois isso nos ensoberbece, se nos julgamos superiores aos outros, nem nos julgarmos inferiores aos demais, já que isso diminui a autoestima e autoconfiança. Todos nós precisamos tanto de humildade, para nos situarmos bem no nosso real valor face a Deus e aos outros, sendo capazes de receber bem os outros, quanto de confiança, para reconhecermos que temos valor e podemos com ele enriquecer os demais. É este o desafio: reconhecer e pôr a render os próprios talentos, sejam eles um só, dois ou cinco. Cada um tem a responsabilidade de negociar o que tem e acrescentar valor ao que recebeu, para seu bem e também dos demais. 

O que significa a bênção de finalistas e das respetivas pastas? Neste ano, renunciámos a uma marca mais católica, não celebrando a missa, mas somente escutando a Palavra de Deus, dando graças, implorando à sua bênção e aclamando-O com alegria pelos benefícios dele recebidos. Para quem crê, quer dizer reconhecer que todo o bem que possui o recebeu de Deus e o quer fazer render precisamente para o bem, com a ajuda do meso Deus. Para quem porventura não tem uma fé religiosa pode significar que, não obstante tudo, acredita que toda a vida e a aprendizagem são um bem e se destinam ao bem. Isto é uma convicção humana que pode bem unir quem vive a fé cristã, católica ou não, quem professa outra fé ou mesmo quem somente se orienta por convicções humanas não religiosas. É comum a todos a mesma dignidade humana, pelo que nos podemos juntar para celebrar juntos os valores partilhados, ainda que numa liturgia de conteúdo e forma católicas. A nossa vida é sempre um bem e destina-se ao bem. Podemos por isso celebrá-la juntos em momentos significativos do percurso de vida. Assim aconteceu na bênção de finalistas.  

Padre Jorge Guarda  

14.6.2025