Pastelarias “Tropical” | Com “olhos em cima e mãos na massa” 

Se há segredo para a longevidade da marca “Tropical”, ele reside na filosofia de gestão partilhada pela família. Às declarações da irmã, que garante que “nesta casa quem trabalha mais é o patrão”, Armando Martins responde com naturalidade: “qualquer casa, onde não seja o patrão a trabalhar mais, não vai para a frente”.

AURÉLIA MADEIRA

Quem entra na Pastelaria Tropical original, junto à Escola Secundária Jácome Ratton, em Tomar, cruza-se frequentemente com um homem de mangas arregaçadas, repartido entre a gerência e as massas. É Armando Martins, natural de Pisões, Caxarias, o empresário que, há 24 anos, escolheu Tomar para viver e expandir o seu sonho no setor da panificação. Hoje, com uma estrutura que oscila entre os 55 e os 57 funcionários, Armando é a cara de uma das redes de pastelarias mais conhecidas da região. 

Da necessidade ao topo do setor 

A história de Armando Martins não se fez nos bancos de escola, mas sim ao calor dos fornos. “Com necessidade, tive que ir trabalhar e não estudei”, recorda. Tinha apenas 14 anos quando começou a trabalhar, numa padaria, em Caxarias. O que começou por ser uma imposição da vida transformou-se numa carreira de 16 anos na mesma empresa. 

Mas a ambição pedia um espaço próprio. O ponto de viragem aconteceu quando um fornecedor de farinha o alertou para uma oportunidade de negócio em Tomar: a venda da Pastelaria Tropical. Sem conhecer a cidade do Nabão, Armando veio ver, gostou do que encontrou e, em escassos três meses, mudou-se de armas e bagagens. “Era uma cidade muito linda, mas pequena. De início perdia-me, estava completamente de olhos fechados aqui. Mas aprendi a gostar”, confessa o empresário, que acabou por trazer a família. 

Uma marca, cinco espaços e distribuição regional 

Atualmente, o grupo mantém um ecossistema estável de cinco pastelarias (batizadas internamente de Tropical 1, 2, 3, 4 e 6) e duas fábricas. Os centros nevrálgicos da produção situam-se na loja pioneira (Tropical, junto à escola Jácome Ratton) e Tropical 3, por trás da escola Santa Iria. Até há pouco tempo uma outra “Tropical” existia no hipermercado LIDL, de Tomar, mas foi encerrada para abrir a nova, ali perto, na rotunda junto à PSP. 

Também para revenda 

A escala do negócio, contudo, já extravasou as vitrines próprias. Da fábrica de Armando saem diariamente pão, pastelaria e sopas que abastecem grandes superfícies comerciais em cidades como Torres Novas, Entroncamento e a própria cidade de Tomar. Curiosamente, Ourém ficou fora do mapa de distribuição por uma questão de princípio e respeito pelas origens: “Nunca quis entrar em Ourém. É a minha raiz e nunca quis estragar o negócio a ninguém”, afirma convictamente. 

O “efeito escola” e o desafio de estacionar na cidade moderna 

A escolha do primeiro espaço colado à Jácome Ratton revelou-se uma jogada de marketing involuntária, mas eficaz. “Estar ao pé da escola é o melhor método de publicidade. Temos clientes que hoje têm 40 anos, passaram por aqui, enquanto estudantes, e continuam a vir”, sublinha. 

Ainda assim, o comércio local vive de dinâmicas sazonais. Armando Martins explica que, ao contrário do que se possa pensar, as férias escolares trazem os melhores meses de faturação. Sem a azáfama dos estudantes, a pastelaria atrai um perfil de cliente diferente, com maior poder de compra. 

Esta convivência com o centro urbano traz também o crónico problema do estacionamento, uma queixa comum a quase todas as lojas, exceto as localizadas junto à PSP ou junto à escola Santa Iria. Uma contrariedade que o empresário encara com visão de futuro: “As cidades, cada vez mais, são para andar a pé e não de carro. Se eu quisesse facilidade de estacionamento, investia na aldeia. Há sempre alguma coisa que não está bem…”

Reportagem completa no Notícias de Ourém de 23 de outubro de 2026