Um dia na vida do padeiro Valente 

André Valente é padeiro desde a infância. Neto e filho de padeiros, sempre soube que queria seguir o legado. Atualmente, é dos poucos padeiros que ainda se dedica exclusivamente a vender pão porta a porta, no norte do concelho de Ourém. O Notícias de Ourém acompanhou uma madrugada de trabalho do padeiro ambulante, numa jornada de seis horas nas estradas da União de Freguesias de Freixianda, Formigais e Ribeira do Fárrio. 

Eva Gomes

São três da manhã de segunda-feira quando a carrinha de André Valente, padeiro ambulante, sai do portão da panificadora. A noite ainda está longe de terminar, mas André prepara-se para começar uma parte fulcral do seu dia: a distribuição porta a porta do pão que confeciona. 

O tempo, chuvoso e pouco acolhedor, promete uma madrugada lenta, sem que viva alma passe pelo padeiro. “No inverno é pior”, comenta André. “A chuva dá mais sonolência e o mau tempo atrasa a rota”, justifica. 

Na carrinha, identificada apenas com o nome “Panificadora Valente” em letras azuis e o número de telemóvel de André, carrega cerca de 70 quilos de pão. “São 70,5 quilos de pão, ou seja, seis grades e mais alguns sacos”, aponta o padeiro. 

Os “mais alguns sacos” ocupam a cabine do condutor. Em cima do tablier estão os sacos com o pão já separado para entregar nas primeiras casas da rota. O banco do pendura e o “chão” também estão repletos de sacos com o pão. “É mais fácil para me orientar”, refere o padeiro. 

O rádio do carro passa exclusivamente a ABC Portugal, sendo André um dos mais fiéis ouvintes desta emissora. Ouve todos os programas da madrugada e da manhã, e até costuma ligar para o programa de discos pedidos.  

O percurso deverá estar concluído apenas às 9h30 da manhã, numa jornada de seis horas ao volante da carrinha do pão. É uma rota solitária para André, que costuma percorrer as várias localidades da zona de Freixianda e Formigais sozinho.  

“Já não me faz diferença, já estou mais que habituado”, afirma o padeiro ambulante, quando questionado se custa estar tantas horas sozinho ao volante. Conta que esta sua função é uma das suas partes preferidas do seu trabalho, por poder dar um pouco de conforto às pessoas que em si confiam.  

Numa carrinha com aroma a pão, bocados de farinha e boa música, André conta a história da sua vida. 

Reportagem completa no Notícias de Ourém de 28 de agosto de 2026