Regresso às aulas | Início conturbado nas escolas com exames de 3ª fase

O início de mais um ano letivo, sobrepõe-se ao fecho do anterior, ainda por concluir, marcadamente conturbado pelas restruturações ministeriais que causaram o caos em algumas escolas, particularmente as que têm ensino secundário. Mas a confusão pode ainda não ter acabado, já que, face ao sucedido, este ano foi marcada uma terceira época de exames, especial, que terá lugar entre 3 e 8 de setembro de 2026

Aurélia Madeira

A terceira fase de exames nacionais destina-se a alunos que reuniam condições para fazer a 2.ª fase, pelo que os exames desta época extraordinária equivalem à 2.ª fase, contando com a melhor classificação entre ambas. 

Daí que a Escola Secundária de Ourém e o CEF (Centro de Estudos de Fátima), daquelas com quem conseguimos estabelecer contacto, apesar da época difícil, sejam as que manifestam maior preocupação. 

Apesar do muito trabalho atual, com a criação de turmas, horários e o muito mais que há a fazer no início de cada ano escolar, alguns dos responsáveis com quem contactámos, conseguiram encontrar algum tempo para nos responder, acabando por nos traçar um quadro da realidade atual. 

Agrupamento de Escolas de Ourém 

Começamos exatamente pela Secundária de Ourém onde as coisas estão mais difíceis. Diz-nos Sandra Pimentel que o início do ano letivo 2026/2027, no Agrupamento de Escolas de Ourém (AEO), “antecipa desafios acrescidos devido à fase extraordinária de exames nacionais em setembro, após um final de ano conturbado por reestruturações ministeriais”.  A diretora defende que, “nesta transição de anos letivos, a escola precisa de mais serenidade para encerrar um ano e preparar o seguinte. Este ano essa tranquilidade foi assolada por um sem número de vicissitudes que a comprometeram e que obrigaram a um esforço adicional de todas as comunidades educativas para ultrapassar esses constrangimentos”. Embora o que tenha merecido maior atenção por parte de todos, até pelo destaque dado pela comunicação social, tenham sido os exames, a professora garante ter havido mais reestruturações a provocar essa perturbação, onde se incluem, entre outras, as alterações no calendário escolar. Daí que, diz Sandra Pimentel, “o início deste ano letivo prevê-se mais desafiante, diferente dos anteriores, devido à fase extraordinária dos exames nacionais que decorre de 3 a 8 de setembro. A realização desta tarefa compromete um conjunto de outras atividades dos docentes que, geralmente, se desenvolvem neste período de tempo e que, este ano, terão que se encaixar no novo calendário. A par disto, há docentes classificadores e relatores de exames, o que compromete a sua participação noutros momentos relacionados com a preparação das atividades letivas e da chegada dos alunos à escola”. 

Contudo, e “apesar da sobrecarga docente, mais de 90% dos professores estão colocados, com 2940 alunos distribuídos por 140 turmas”, faltando, apenas, “colocar 8 docentes, que também já foram pedidos e que devem ficar colocados até dia 1 de setembro”. 

Quanto a alunos, a diretora do agrupamento diz que “este ano não registamos grande aumento do número de alunos”, sendo este “semelhante ao ano anterior. Neste momento, estão matriculados no agrupamento 2940 alunos, apenas no regime diurno, num total de 140 turmas. 

No que respeita à nova legislação, que alarga a proibição do uso de telemóveis com internet, nas escolas, até ao 9º ano, a partir de um de janeiro de 2027, a diretora recorda que, “no ano letivo anterior, já tínhamos proibido a sua utilização no recinto escolar para alunos do 1.º e 2.º ciclo do ensino básico. No final deste ano letivo, o Conselho Pedagógico tomou a decisão de proibir, já a partir do início das aulas, a utilização de telemóveis no recinto escolar também para os alunos do 3.º ciclo, nos dois estabelecimentos de ensino do agrupamento onde se leciona esse nível. Naturalmente, a utilização/ não utilização de telemóveis está definida no regulamento interno do agrupamento e enquadrada na necessidade de recurso às tecnologias em contexto de sala de aula, porque continuam a ser uma boa ferramenta pedagógica”. 

Sandra Pimental termina com a citação de um artigo de opinião de Celso Monteiro: “A Escola não pode continuar a ser um campo de frustração e desgaste. A educação exige tempo, dedicação e liberdade para pensar… e isso faz-se com pessoas, com professores e com políticas para os deixar ensinar”. 

Centro de Estudos de Fátima 

Das escolas que responderam ao nosso contacto, para além da Secundária de Ourém, só o Centro de Estudos de Fátima (CEF) terá uma terceira fase de exames, segundo nos informa o seu diretor, Manuel Bento. Essa situação levará a que “um conjunto alargado de reuniões de preparação do início do ano letivo terão que ser suprimidas ou efetuadas eventualmente já com o ano a decorrer”, afirma.  No que toca a professores e colaboradores, “a contratação está efetuada e o quadro de pessoal está completo”, até porque “o número de turmas no próximo ano letivo é o mesmo do ano que agora termina e o número de alunos também é similar”. Contudo, alerta o diretor do CEF, “o Ministério deverá, futuramente, rever o número de turmas a atribuir às escolas de Fátima, pois existem alguns alunos que não tiveram lugar nestas escolas pertencendo à área de influência das mesmas e, durante o decorrer do ano, é provável que o número aumente”. 

A questão dos telemóveis não se coloca na escola, uma vez que “alunos até ao nono ano já não podiam usar os mesmos, até as aulas terminarem”.  

Agrupamento de Escolas de Caxarias 

Também no Agrupamento de Escolas de Caxarias, “o arranque do ano letivo está a decorrer com normalidade e com um número de alunos idêntico ao do ano passado, registando um balanço globalmente positivo”, afirma-nos a diretora, Cláudia Campos. Refere ainda que “o processo de colocação de professores decorreu conforme o previsto, restando apenas por preencher algumas horas residuais e não houve necessidade de realizar a terceira fase de exames por falta de inscritos. Além disso, a escola irá aplicar a nova legislação sobre a utilização de telemóveis para “melhorar a concentração e a interação entre os estudantes”.  

Cláudia Campos diz ainda que a prioridade do agrupamento “continua a ser garantir as melhores condições possíveis para alunos, pessoal docente e não docente e famílias, num trabalho que só é possível com o empenho de toda a comunidade educativa”. 

Colégio Sagrado Coração de Maria 

O regresso às aulas no Colégio Sagrado Coração de Maria, em Fátima, “está preparado para decorrer com tranquilidade”, afirma o diretor, Serafim Costa. “Este ano letivo fica marcado pelo crescimento do número de estudantes, que motivou a abertura de mais uma turma no 2.º Ciclo, e pela ausência de inscritos na terceira fase dos exames nacionais”, salienta. Já quanto à nova legislação de restrição dos telemóveis, ela também não será problema para o colégio, uma vez que este “já proibia o seu uso no ano anterior, estando alinhado com o alargamento da regra previsto para janeiro de 2027”.  

Serafim Costa refere ainda que “a instituição reforça a continuidade de uma oferta educativa diversificada, que inclui clubes temáticos, salas de estudo e desporto escolar gratuitos, reafirmando o compromisso com o bem-estar e o sucesso académico dos alunos em articulação com as famílias”. 

Escola Profissional de Ourém  

Face às suas especificidades, a Escola Profissional de Ourém não tem os problemas das outras escolas com ensino secundário. O seu diretor, Pedro Major, diz-nos que o início do ano letivo está a decorrer com normalidade, “com a expectativa de aumentar uma turma de mecatrónica em Ourém e outra de cozinha, em Fátima”.