Reportagem | Nos bastidores do Bons Sons 

Em Cem Soldos, Tomar, no coração do país, há um festival que se distingue de todos os outros. Não apenas pelo cartaz, mas pela forma como nasce, cresce e se reinventa. O Festival Bons Sons não é apenas um evento musical. É, sobretudo, uma experiência coletiva, um projeto de território e um exercício contínuo de cidadania participativa. Ali, não se chega só “para curtir a música”. Chega-se, para “Viver a Aldeia”. Em 2026, o Bons Sons celebra 20 anos e regressa a Cem Soldos, entre 6 e 9 de agosto, com 10 palcos e um manifesto de “resistência”. 

CARLA PAIXÃO 

Com pouco mais de 600 habitantes, esta pequena aldeia do concelho de Tomar transforma-se, durante quatro dias de agosto, de dois em dois anos, num palco vivo que acolhe mais de 30 mil visitantes oriundos de todas as regiões do país e, diz-se, “até de além-fronteiras”. Mas reduzir o Bons Sons à sua dimensão numérica seria ignorar o essencial, a sua alma comunitária. 

Uma aldeia que faz o festival e um festival que transforma a aldeia 

Criado em 2006 por um grupo de “jovens da terra”, integrado na dinâmica do Sport Club Operário de Cem Soldos (SCOCS), o festival nasceu com o objetivo de divulgar a música portuguesa. Contudo, ao longo dos anos, tornou-se muito mais do que isso. Hoje, duas décadas depois, à entrada da sua 13.ª edição, afirma-se como um verdadeiro projeto de desenvolvimento territorial, enraizado e sustentado pelo envolvimento ativo da comunidade que lhe dá vida. 

Filipe Cartaxo, presidente da associação organizadora, fala numa relação de “reciprocidade”. O festival precisa da aldeia, mas também a transforma. Filipe acredita que a visibilidade trazida pelo Bons Sons impulsionou o desenvolvimento social de Cem Soldos, para além de ter contribuído para a requalificação do próprio edificado, nomeadamente, de espaços públicos, como o Largo do Rossio, ou a Igreja, atualmente a ser intervencionada, tendo ainda incentivado de forma significativa a recuperação do casario. O impacto estende-se até à escola local, que, contrariando a tendência de desertificação do interior, ganhou nova vida e atrai hoje “famílias de fora”. “O festival também teve um papel nisso. De certa forma, ajudou a rejuvenescer a aldeia. Trouxe visibilidade, trouxe investimento, trouxe movimento”, refere. 

Reportagem completa no Notícias de Ourém de 8 de maio de 2026