António José Seguro, Presidente da República, visita Ourém 

No âmbito da iniciativa “Presidência Aberta”, o Presidente da República, António José Seguro, visitou uma habitação completamente destruída pela tempestade Kristin, em Seiça, na passada terça-feira, 7 de abril. O Chefe de Estado expressou admiração pela resiliência da comunidade oureense. 

EVA GOMES 

A chuva não impediu que os mais curiosos, que queriam ver ao “vivo e a cores” o recém-eleito Presidente da República, de se juntarem na pequena aldeia de Sorieira, na freguesia de Seiça.  

De visita a 19 dos concelhos afetados pela tempestade de 28 de janeiro, António José Seguro passou por Ourém, tendo visitado uma habitação que ficou totalmente destruída pela tempestade de 28 de janeiro. 

Com telhado destruído, uma parede em ruínas, esta é a imagem da tempestade Kristin. Na visita à habitação, o Presidente da República não deixou de fazer notar a “coragem, muita coragem” dos habitantes daquela residência destruída. 

As palavras de Seguro foram apenas direcionadas aos lesados, vítimas da catástrofe que assolou o concelho de Ourém. “Vão à Câmara pedir ajuda, ver como estão os processos”, foi o discurso repetido pelo Presidente da República, tecendo conselhos e palavras de encorajamento aos lesados. 

António José Seguro deixou ainda um apelo ao melhor planeamento dos recursos e competências para responder a catástrofes, considerando que os portugueses “são muito bons no improviso”, apontando que é essencial melhor organização. 

Apesar de, na visita a Seiça, não ter estendido comentários, o Presidente da República exigiu, no dia 8 de abril, em Penela, Coimbra, que os prazos de pagamento dos apoios aos lesados pela tempestade sejam comprimidos, tanto para os privados como para o setor público.  

Efetivamente, durante a sua visita a Ourém, expressou preocupação relativamente ao setor económico do concelho, tendo questionado o Presidente da Câmara, Luís Miguel Albuquerque, acerca do estado de empresas como a Divinis – Adega de Ourém, cujos danos no edifício ainda são visíveis.  

Ângela Marques, presidente da junta de freguesia de Seiça, espera que esta visita do Presidente da República “mostre o que as telas não mostram”. “Anseio que o Presidente da República veja com os próprios olhos o que a tempestade realmente fez e tenho a certeza que ficará sensibilizado com a nossa situação”, admite. 

“Tivemos de nos refugiar no carro” 

Elsie Silva, mãe de duas crianças, viu a sua casa destruída pela tempestade. O local escolhido para a visita do Presidente da República é o que resta da sua habitação. 

Elsie reconta os eventos da madrugada de 28 de janeiro, uma noite que nunca irá esquecer. “Estávamos a dormir e, de repente, o telhado começou a desabar”, começa por contar. 

Segundos antes do telhado ruir, Elsie e os seus filhos conseguiram sair da casa e abrigarem-se num local “mais seguro para a situação”. “Quase fomos esmagados, mas conseguimos sair e fomos abrigar-nos no carro”, afirma. 

“Era o local mais seguro que havia no momento, até porque não podíamos sair daqui porque a estrada estava bloqueada”, diz Elsie. 

Foi realojada numa das habitações disponibilizadas pelo município de Ourém e está a aguardar uma aprovação da sua candidatura a apoio. “Até agora não tive retorno, mas estou a aguardar”, resume. 

O choque, a sensação de ter perdido tudo, foi o que mais deixou marcas, mas agora começam a reconstruir.,“aos poucos”, conclui.  

“É muito difícil ver tudo aquilo em que investimos, o dinheiro que ganhámos, a desaparecer de um momento para o outro”, explica Elsie, que é migrante de origem brasileira e que está em Portugal há seis anos. 

Abraçada pelo Presidente da República 

Maria Neves Sousa, de 67 anos, fez um esforço para ir ver o Presidente da República. A sua casa também sofreu danos extremos, que Maria não tem como reparar. 

Vive com o seu filho, doente, e com o seu marido, e explica que a sua salvação “foi ter ido para a casa de banho, dormir lá”. Entretanto, a sua família foi realojada numa das habitações do município.  

“Foi bom termos um refúgio que nos pudesse acolher”, diz Maria. “Não fiz por mim, fiz pelo meu filho”, conta. 

Já se candidatou para os apoios e “agora está nas mãos deles, não está nas minhas, que como não sei ler é me difícil de orientar”. 

Maria ficou extremamente grata por poder falar com o Presidente da República, e contar-lhe as suas aflições. “Só peço que Deus nos proteja”, afirma a oureense.