Ministra da Saúde inaugurou Centro de Saúde de Fátima
A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, inaugurou esta quarta-feira, 25 de março, o Centro de Saúde de Fátima, após cerca de um ano de obras de requalificação e ampliação, num investimento de 1,6 milhões de euros que dotou a unidade de instalações mais modernas e funcionais
CARLA PAIXÃO
O Centro de Saúde de Fátima foi oficialmente inaugurado esta quarta-feira, 25 de março, pela Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, após cerca de um ano de obras de requalificação e ampliação que custaram 1,6 milhões de euros. Durante o período de obras, os serviços funcionaram em 30 contentores modulares instalados junto ao Estádio Papa Francisco, permitindo que o atendimento à população não fosse interrompido.
O investimento, financiado a 100% pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), permitiu modernizar as instalações e expandi-las para o espaço da antiga Biblioteca de Fátima, cedida pela Junta de Freguesia local.
“É sempre muito bom voltar [a Ourém] e eu espero que em breve possamos dar esse pequeno, grande passo, que é ter uma Unidade de Saúde Familiar modelo B, porque isso faz toda a diferença para as pessoas que servimos”, afirmou a Ministra da Saúde, destacando a meta de reforçar os cuidados primários na região.
Ana Paula Martins sublinhou a importância da proximidade e do trabalho em equipa na qualidade dos cuidados de saúde: “Essas grandes mudanças acontecem na proximidade, acontecem quando temos uma equipa multidisciplinar que consegue acompanhar ao longo da vida, desde a conceção até ao nosso final, consegue acompanhar a saúde materno-infantil, rastreios e prevenção. É um sistema de saúde sólido.”
A ministra reforçou ainda a relevância da integração entre os diferentes níveis de cuidados e o uso da tecnologia: “Quando lhes chamamos de primários, acham que primário é básico, e não é, é muito diferenciado, usando a tecnologia que dispomos e que está ao serviço da população, com programas de telemedicina que acompanham as nossas expectativas enquanto país desenvolvido.”
Para o presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, a obra representa não só uma modernização física, mas também um avanço na prestação de cuidados à população. “Um agradecimento muito especial a todos os profissionais de saúde que, durante estes últimos tempos, conseguiram assumir a necessidade de deslocalizar este serviço para uns contentores. Foi muito gratificante ver a vossa disponibilidade e energia”, disse, recordando os meses em que os serviços funcionaram fora do edifício principal.
Concelho de Ourém regista um total de 16 mil utentes sem Médico de Família
Em Fátima são 1.200
Albuquerque destacou, no entanto, que, apesar da importância desta inauguração, ainda existem desafios significativos na região.
“Continuamos com falta de médicos, cerca de 16 mil utentes sem médico de família, mas estão devidamente assistidos. Em conjunto com a ULS (Leiria) e com a Santa Casa da Misericórdia, temos o Projeto Bata Branca, que disponibiliza cerca de 900 horas com médicos espalhados pelo concelho, garantindo assistência médica a todos os utentes”, explicou.
Por sua vez, Carlos Neves, presidente da Junta de Freguesia de Fátima, reconheceu a mais-valia da requalificação das infraestruturas: “É um investimento direto na qualidade de vida e na confiança da população no sistema de saúde. Mais importante do que paredes renovadas, trata-se de garantir que cada cidadão é cuidado com qualidade e segurança.”
O autarca lembrou, porém, que cerca de 1.200 utentes ainda não têm médico de família, sublinhando a necessidade de se continuarem a reforçar os serviços à população, que tem vindo a crescer. “Apesar dos importantes avanços, subsiste um desafio que não podemos ignorar. Num centro de saúde que atualmente conta com oito médicos, temos ainda cerca de 1.200 utentes sem médico de família. Sabemos que não somos o caso único, mas isso não diminui a responsabilidade que sinto como autarca”, vincou o presidente da Junta.
O novo Centro de Saúde integra a Unidade de Saúde Familiar de Fátima, a Unidade de Cuidados de Comunidade da Cova de Iria, um gabinete de medicina dentária, equipas de cuidados integrados e o Departamento de Saúde Pública.
Para a ministra, este tipo de cooperação entre o poder central e local é essencial: “Falar de um centro de saúde é falar de um espaço onde tratamos da vida das pessoas… Esta cooperação demonstra o valor da colaboração entre o Poder Central e o Poder Local, essencial para fortalecer o sistema de saúde.”
Com a requalificação concluída, a expectativa é que “os utentes tenham acesso a um atendimento mais eficaz, humano e próximo, enquanto os profissionais de saúde passam a dispor de condições modernas para exercer o seu trabalho”, afirmou a Ministra da Saúde.

