Proprietários florestais enfrentam dificuldades na remoção de material lenhoso 

Os proprietários florestais estão preocupados com o prazo estabelecido para a remoção do material lenhoso resultante das recentes tempestades e defendem medidas que garantam um preço mínimo para a madeira para proteger os produtores da especulação

O presidente da Federação Nacional de Associações de Proprietários Florestais (FNAPF), Luís Damas, afirmou à agência Lusa que o prazo de 25 de março, estabelecido para que os proprietários comuniquem se conseguem retirar o material lenhoso pelos seus próprios meios, é difícil de cumprir. “Vimos que não há capacidade e que não se pode obrigar os proprietários a um prazo tão apertado, tem de haver bom senso”, sublinhou, citado pela Lusa. 

Luís Damas explicou que as condições no terreno tornam a operação particularmente complexa. “Esta madeira é mais difícil de trabalhar porque muita está partida, está entrelaçada, está cruzada, não é de uma extração fácil”, salientou, acrescentando que muitos acessos continuam obstruídos. 

O dirigente da FNAPF considera que a meta definida não reflete a realidade no terreno. “Para chegar a certos sítios vai demorar muito tempo, não é 25 de março, isso é uma ilusão”, disse à Lusa, defendendo que quem definiu o prazo “ou não conhece o terreno” ou “não avaliou bem o que estava a acontecer”. 

Apesar de reconhecer que o material acumulado no solo representa um risco acrescido, tanto ao nível do combustível florestal como de problemas fitossanitários, Damas admite que a capacidade de resposta é limitada. “Não existe capacidade nem no país, quanto mais das entidades” que eventualmente se possam substituir aos proprietários para cumprir o prazo estabelecido. 

Outro receio prende-se com o valor comercial da madeira. O presidente da FNAPF alerta que, se os preços descerem demasiado, muitos proprietários não terão condições para suportar os custos da remoção das árvores derrubadas pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta, que atingiram o país entre o final de janeiro e meados de fevereiro. 

Por isso, os proprietários florestais defendem a criação de parques de madeira que permitam estabilizar o mercado. O objetivo é garantir um preço de referência e evitar situações de especulação.  

Luís Damas alerta que, em cenários de catástrofe, os produtores acabam frequentemente por sair prejudicados. “O proprietário, em desespero, vai aceitar qualquer preço, mesmo que saiba que está a ser roubado, entre aspas”, disse à Lusa o dirigente da FNAPF, referindo que esse fenómeno já se verificou em situações anteriores, como nos grandes incêndios. 

De acordo com notícia da Lusa, as associações de proprietários florestais têm também enfrentado dificuldades para identificar os donos em algumas Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP). Ainda assim, a legislação aprovada após as tempestades permite que o Estado intervenha nos terrenos mesmo quando os proprietários não são conhecidos, podendo remover o material lenhoso. 

O Ministério da Agricultura e Mar informou, em comunicado, que os proprietários florestais afetados pela recente tempestade devem comunicar ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) ou à respetiva autarquia local, até 25 de março, caso pretendam proceder à remoção do material lenhoso pelos seus próprios meios. 

A partir de 1 de abril, essas operações passam a depender de autorização do ICNF e, caso não haja comunicação, o Estado poderá avançar com a remoção da madeira, segundo publicação do Governo nas redes sociais. 

CP c/ LUSA