“Não se vê ninguém a passar, nem proteção civil nem nada”
Josina-Materiais de Construção mantém-se aberta após catástrofe
A Josina- Materiais de Construção é uma das inúmeras empresas oureenses afetadas pela tempestade do dia 28 de janeiro. Com danos avultados, sem luz e comunicações, mantiveram as portas abertas para poder vender telhas e outros materiais para telhados. José Carlos, dono da Josina, apela às autoridades que se restaure “pelo menos a luz”.
Eva Gomes

Localizada na Aldeia Nova, Olival, a Josina & Transalnova especializou-se na revenda de material de construção. Desde telhas, areia, colas e argamassa, é vendido de tudo um pouco.
Na madrugada do dia 28 de janeiro, com a passagem da tempestade Kristin no território concelhio, a sede e armazém da empresa ficou com vários danos. O armazém desabou, acabando por ficar inutilizado. A oficina da maquinaria e transportes da empresa ficou sem telhado, causando danos nas máquinas que se encontravam lá dentro.
“Ainda não tive tempo para avaliar o valor dos danos que aqui tenho”, explica José Carlos, dono da empresa de materiais de construção. Desde que a tempestade Kristin se abateu sob o concelho de Ourém, a Josina não deixou de abrir as portas.
Um dos funcionários da empresa conta que no dia 28, de manhã, “já havia uma fila enorme de pessoas para comprar telhas”. “Tive de me esconder para poder passar por aqui sem ser reconhecido”, brinca.
José Carlos confirma esta história. Abriram portas assim que conseguiram limpar os danos e começaram logo a vender telhas. “As pessoas estavam desesperadas para arranjar as suas casas”, explica.
Sem luz, sem comunicações e sem acesso aos computadores, venderam telhas escrevendo num papel o nome do cliente e o que levava. “Fomos um pouco na fé de que as pessoas voltavam para pagar”, conta José Carlos.
Só conseguiam garantir pagamentos “em dinheiro”, sendo que a muitos dos seus clientes não tinham acesso a multibancos para levantar o valor em numerário. “Os nossos clientes frequentes deixaram aqui conta aberta, quem conseguia pagava logo em dinheiro”, salienta o empresário.
De momento estão a utilizar um gerador “que estava parado há muito tempo”, para conseguirem ter pelo menos iluminação no exterior. “Tendo aqui luz evita-se assaltos”, refere José Carlos.
“Tivemos um roubo, umas telhas, uma coisa mínima, sem importância”, minimiza o empresário. Acredita que este furto tenha sido fruto do desespero de alguém que precisava dos materiais.
Sem fim à vista, a Josina- Materiais de Construção ultrapassa uma das “fases mais difíceis da empresa”.
Artigo completo na edição do Notícias de Ourém 13 de fevereiro de 2026

