Um dia na vida dos voluntários de Ourém
Juntas de Freguesia prestam apoio às populações locais
O concelho de Ourém começa aos poucos a recompor-se após a tempestade Kristin. Nas várias freguesias afetadas, as comunidades organizam-se para poder prestar auxílio às pessoas isoladas e com mais necessidade. O Notícias de Ourém acompanhou dois voluntários de Rio de Couros, na sua rota pela destruição, para chegar àqueles que mais precisam.
Por Eva Gomes


A chuva não dá tréguas desde o desafortunado dia 28 de janeiro, em que a tempestade Kristin entrou concelho adentro e destruiu tudo à sua frente. O resultado: famílias desalojadas, telhados destruídos, inundações, árvores a impedir estradas e falta de eletricidade, água canalizada e telecomunicações.
Quem vive longe do centro das cidades de Ourém e Fátima sentiu os resultados de forma intensa. Isolados, sem conseguir comunicar, é o que se ouve nos cafés e centros de apoio.
Neste rasto de destruição, os oureenses uniram-se para poder reconstruir o que tinha sido levado. Cada freguesia do concelho se organizou para prestar apoio a quem necessita, distribuindo mantimentos e materiais de construção.
A junta de freguesia de Rio de Couros é um desses exemplos. Localizada numas das zonas mais afetadas do município, o esforço coletivo para melhorar a situação da freguesia é o que mais se sente. Foi organizado um grupo de voluntários para prestar apoio à população da freguesia, com um armazém improvisado junto à Igreja.
Os mantimentos e materiais vêm diretamente do centro de apoio instalado no Centro Municipal de Exposições. Apesar de serem em menor número, recebem também doações de privados.
À chegada, é feita uma rápida triagem, para perceber o que é necessário para cada situação. Nesta azáfama são trocadas histórias e preocupações sobre vizinhos que estão sozinhos, que não têm telhas ou que não têm alimentos.
“Não interessa se é de outra freguesia, quem precisa nós damos”, dizia uma das voluntárias presentes.
A partir do centro de apoio improvisado pela junta de freguesia de Rio de Couros, saem os voluntários para o terreno. Vão de casa em casa distribuir as ajudas, sinalizar situações de apoio urgente e dar uma mão (e os ouvidos) aos que mais precisam.
“Há casos em que as pessoas precisam apenas de falar e ser ouvidas”, conta Afonso, um dos voluntários que o Notícias de Ourém acompanhou na sua rota de distribuição de mantimentos.
Os mais idosos são os que mais precisam de conversar, de acordo com o jovem. A falta de telecomunicações agravou o isolamento social de muitos dos seniores nas localidades afetadas. Sem telefone e com a mobilidade reduzida, ficam impedidos de falar com quem quer que seja.
“São pessoas que normalmente já se isolam e se ninguém se lembrasse delas as coisas corriam mal”, reflete Afonso.
Reportagem completa na edição do Notícias de Ourém 13 de fevereiro de 2026

