Celebrar a independência
Aljubarrota e Ourém unidos por D. Nuno e Nossa Senhora
O dia 14 de agosto de 1385 marcou as crónicas num dos mais míticos eventos da história de Portugal, a Batalha de Aljubarrota. 640 anos depois, uma encenação em grande formato recordou no próprio local esse momento transformador.
D. Fernando tinha morrido deixando a sua única filha legítima, Dona Beatriz, casada com D. João, rei de Castela, legal herdeiro do trono português por via deste matrimónio. Tudo apontava para a perda da independência do Reino de Portugal.
Mas a linha de sucessão incluía vários irmãos do falecido D. Fernando e podia assim evitar-se que a coroa passasse para o rei de Castela. Em particular havia dois (sim, dois) D. João, o que provoca uma razoável confusão histórica.
O primeiro, D. João de Portugal, era filho de Inês de Castro, aquela que “depois de morta foi rainha”, e isso era uma história muito comprida! Embora alguma da nobreza, com a naturalidade de quem obedece às leis, considerasse que a coroa deveria ficar para o rei de Castela, a maioria, encabeçada pelo Condestável D. Nuno Álvares Pereira, preferia um português no trono. Uns preferiam o lado legítimo de D. João, filho de D. Inês, outros defendiam que fosse um outro João, o Mestre de Avis, também filho de D. Pedro, embora ilegítimo.
Por essa altura, as tropas do mestre de Avis, comandadas pelo Condestável, juntam-se em Tomar e dirigem-se a Aljubarrota, passando pelo concelho de Ourém, onde a memória de D. Nuno ficou gravada para sempre.
Mas não será apenas o Santo Condestável que liga o concelho de Ourém à batalha de Aljubarrota. Muitos acreditam que terá sido aí, na noite que precedeu a luta das tropas portuguesas ajudadas pelos ingleses, contra as forças espanholas ajudadas pelos franceses, que Nossa Senhora terá feito a sua primeira aparição na região. Segundo a lenda, ela terá aparecido ao futuro rei D. João l, durante a noite, prometendo-lhe ajuda e levando-o à vitória. Em troca, pediu-lhe a construção de um
monumento em sua glória que, mais tarde, veio a ser o mosteiro de Santa Maria da Vitória, atualmente conhecido como mosteiro da Batalha.
A guerra foi vencida através de uma estratégia nova, concebida por D. Nuno Álvares Pereira, que ficou conhecida pela “tática do quadrado”, e que nos conduziria à vitória, apesar do muito menor número de tropas.
Foi esse momento da batalha, há 640 anos, recordado no fim de semana passado, que permitiu manter a independência de Portugal.
Entre outras iniciativas, as comemorações tiveram como momento alto a recriação da própria Batalha no exato local onde ela se travou, hoje um espaço museológico e com uma sala de cinema onde podem ser vistos os filmes sobre o tema, no CIBA – Centro Interativo da Batalha de Aljubarrota, uma proposta de visita neste tempo de férias que antecede o regresso às aulas, principalmente para os mais novos, que ali terão uma esclarecedora lição sobre a História de Portugal.
AM

