TODOS GOSTAM DE SER BEM RECEBIDOS E ATENDIDOS 

Temos todos a experiência da hospitalidade recebida ou oferecida, em casa, em instituições, em serviços públicos ou privados ou nas lojas. Agrada-nos ser bem acolhido ou atendido e ficamos aborrecidos ou até revoltados quando tal não acontece. Há vários requisitos fundamentais para receber bem e, consoante a experiência vivida, assim é a qualidade dos efeitos que se obtêm. 

A palavra de Deus escutada na liturgia do passado domingo apresentava-nos dois relatos muito sugestivos de hospitalidade: a de Abraão a três mensageiros de Deus (cf Gn 18, 1-10) e a das irmãs Marta e Maria a Jesus (cf Lc 10,38-42). No primeiro, Abraão começa por acolher as figuras e pede-lhes que não passem adiante sem parar em sua casa. Proporciona-lhes água e espaço de descanso, prepara uma boa refeição para restaurarem as forças. Enquanto eles comem, fica ali junto deles, atento e disponível para o que fosse preciso. A sua hospitalidade obtém-lhe a bênção do anúncio de que a sua esposa iria ter o filho que há muito ambos desejavam. No segundo relato, as duas irmãs recebem Jesus com atitudes diferentes: uma senta-se aos seus pés a escutá-lo, como discípula; a outra afadiga-se a preparar tudo o necessário para hospedar o amigo. Mas acaba por se irritar por não ter a ajuda da irmã e queixa-se. Mansamente, Jesus fá-la cair na conta de que a agitação não a ajuda nada em e aponta a atitude da irmã como a mais certa para receber o hóspede: dar-lhe atenção, escutá-lo. Depois, é que vem o serviço para lhe proporcionar o que necessita. 

A primeira atitude para oferecer boa hospitalidade é prestar atenção à pessoa e conhecê-la nas suas necessidades e preferências. Daí a prioridade à escuta e ao diálogo pelo tempo necessário e possível. Depois vem o serviço concreto para proporcionar à pessoa bem-estar e corresponder às suas necessidades. Tudo isto, obviamente, feito com simpatia e boa disposição. É certo que é preciso saber gerir a disponibilidade que se tem e ter em conta as circunstâncias em que se recebem as pessoas. A regra deveria ser sempre acolher, atender e servir os outros como gostaria que me fizessem a mim, em circunstâncias semelhantes. 

As ocasiões em que somos chamados a praticar a hospitalidade ou o atendimento são variadas. Umas são no âmbito familiar ou da amizade. Aí é mais fácil e encontra-se mais compreensão de quem nos visita ou precisa de nós. Outras são no âmbito profissional e, em algumas áreas, como na saúde, na hotelaria e na restauração, os níveis de exigência estão bastante altos, sobretudo quando aos clientes é pedido que paguem bem os serviços que lhes são prestados. Em muitas áreas profissionais públicas ou privadas, nem sempre há esta exigência e as próprias pessoas parecem não estar preparadas, disponíveis ou em condições de receberem e atenderem bem, por variados motivos. É pena que tal aconteça e, com frequência, as pessoas sintam que são mal recebidas ou atendidas. 

Os cristãos têm em Jesus e no seu evangelho inspiração e ensinamento para receberem bem quem os visita ou solicita os seus serviços. Devem fazê-lo onde quer que estejam e em relação a “todos, todos, todos”. A hospitalidade é uma virtude que lhes é recomendada e têm em Abraão nas irmãs Marta e Maria bons exemplos de como receber bem. São Pedro recomenda: “Exercei a hospitalidade uns com os outros, sem queixas” (1 Pe 4,9). E a carta aos Hebreus adverte: “Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos” (Heb 13, 2). A hospitalidade e o bom atendimento fazem bem a quem delas beneficia e trazem bênçãos e alegrias inesperadas a quem os pratica. Não percamos nenhuma oportunidade de as receber. O bem que fazemos aos outros frutifica também para nós e contribui para o bem da comunidade e da sociedade. 

Padre Jorge Guarda 

Ourém, 23.7.2025