Pinhel: Mercearia d’Aldeia abre em Setembro 

Uma mercearia à antiga, sonhada para a vida de hoje 

A Mercearia d’Aldeia abre portas a 13 de Setembro, em Pinhel, Ourém, num espaço que esteve fechado durante mais de uma década e que muitos ainda reconhecem como o antigo restaurante do senhor Amílcar. O projeto, idealizado e concretizado por Sara Sousa, recupera o espírito das antigas mercearias: o atendimento próximo, o cliente tratado pelo nome, a conversa sem pressa e os produtos da terra, sem deixar de responder às necessidades de hoje. Nas prateleiras haverá fruta, legumes, carne, pão, queijo, azeite, mel e outros produtos locais, artigos artesanais e produtos a granel. A mercearia disponibilizará ainda cabazes, encomendas para levantamento e entregas ao domicílio. Uma loja de proximidade com o sabor de outros tempos, mas pensada para a vida de agora. O NO entrou na Mercearia D’Aldeia e esteve à conversa com quem a sonhou. 

Carla Paixão

Como é que nasce a ideia da Mercearia d’ Aldeia? 

Surgiu primeiro de uma necessidade pessoal de mudar o rumo da minha vida e, depois, da convicção de que este era um negócio que fazia falta na terra onde vivo e de que gosto muito. Eu passava aqui todos os dias, a caminho do trabalho, e achava este espaço incrível, pela localização e pelo potencial que tinha. Ao mesmo tempo, nasce também de um sonho antigo.  Eu já sabia que um dia ia abrir uma mercearia. Não sabia era onde. Até que um dia, ao passar aqui, pensei: “Já sei. Vai ser aqui.” Disse ao meu marido e ele respondeu: “És maluca, Sara.” [risos] Mas eu tinha passado tanto tempo triste, frustrada e a sentir que estava a perder uma parte de mim que, quando tomei aquela decisão, não voltei atrás. 

Essa mudança foi também uma espécie de reencontro com “a Sara de outros tempos” … 

Completamente. Eu não era a pessoa que sou hoje há um ano. Sempre fui divertida, ambiciosa, alegre, uma pessoa de pessoas. E estava a perder isso. Chegava muitas vezes a casa depois do trabalho e chorava. Sentia que estava a fugir da minha personalidade. Quando percebi que não teria de ficar ali para sempre, voltei a sentir-me feliz. Depois de muitas conversas com o meu marido, percebi que, a nível profissional, aquela situação já não estava a funcionar e deixei o trabalho. Conto esta história também para mostrar a outras pessoas que, muitas vezes, o mais difícil é dar o primeiro passo. E, se puder, quero dar-lhes coragem para arriscarem, para acreditarem nas suas ideias e para correrem atrás daquilo que as faz felizes e realizadas. 

Entrevista completa no Notícias de Ourém de 21 de agosto de 2026