Floresta do Médio Tejo transformada num “barril de pólvora”  

O comandante sub-regional do Médio Tejo, David Lobato, alertou para o aumento do risco de incêndios na região após a tempestade Kristin, que deixou milhares de quilómetros de caminhos bloqueados e acumulou grande quantidade de material combustível na floresta. 

CARLA PAIXÃO 

“Temos, de facto, muitos caminhos municipais, florestais e rurais ainda bloqueados. Estamos a falar de milhares de quilómetros, o que representa um constrangimento grave na forma como poderemos movimentar os meios durante a época crítica de incêndios”, afirmou David Lobato aos jornalistas, após o balanço operacional da resposta à depressão Kristin e a apresentação do Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo, realizado na quarta-feira, 4 de março, no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha. 

O comandante explicou que, embora o desimpedimento das estradas esteja a ser feito, a matéria combustível acumulada nas faixas de gestão representa um risco elevado. “O cortar e limpar as estradas é ótimo, mas a matéria combustível fica lá. Se os incêndios já são muito violentos, nada nos garante que não teremos um julho, agosto ou setembro ainda mais quente e propício a grandes incêndios”, alertou. 

Lobato vincou que a limpeza da rede florestal municipal é apenas parte da resolução do problema. “Depois há a massa combustível no solo, milhares de hectares de pinhal e eucalipto caídos, que podem multiplicar por dez a quantidade de combustível disponível por metro quadrado. É um problema enorme para a prevenção de incêndios”, alertou. 

O comandante notou ainda a urgência de envolver o Governo e toda a fileira do setor florestal, defendendo a criação de uma estrutura de missão que integre o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta e outras entidades. Alertou, contudo, para os constrangimentos de calendário e de enquadramento legal. “Estamos muito perto de maio, muitos terrenos ainda estão encharcados e a maquinaria pesada não consegue entrar para fazer a limpeza. É necessário prolongar os prazos de limpeza, garantindo que o trabalho seja feito em condições de segurança. Até lá, temos de permitir que se retire o máximo de material possível”, afirmou. 

Sobre os terrenos privados, David Lobato alertou que muitos pinheiros e eucaliptos foram destruídos e permanecem no solo, aumentando o risco de incêndios. “Se não conseguirmos levar a limpeza até ao final, teremos um problema grave”, concluiu.