Católicos predominam na identidade religiosa portuguesa 

Novo estudo revela que 80,2% da população residente em Portugal identifica-se como católica. 

O novo estudo “Um Atlas da Religião em Portugal”, coordenado por Alfredo Teixeira, e desenvolvido por Helena Vilaça, José Pereira Coutinho, Margarida Franca e Maria João Oliveira, e editado pela Universidade Católica Editora, a partir dos dados dos Censos 2021, projeta que 80,2% da população portuguesa identifica-se como católica. 

A análise foi desenvolvida pelo Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião da Universidade Católica Portuguesa (UCP-CITER), com a colaboração de investigadoras do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 

A publicação divulgada a 28 de outubro constitui o primeiro atlas contemporâneo da religião em Portugal, reunindo e cruzando dados censitários para oferecer uma nova leitura da “geografia religiosa” do país. 

“É seguro dizer que, na situação presente, a diversidade de posicionamentos relativamente à religião, na paisagem social portuguesa, se define por dois blocos salientes: a identidade católica culturalizada e a população sem afiliação religiosa”, afirmam o antropólogo e coordenador da investigação, Alfredo Teixeira, e o sociólogo José Pereira Coutinho. 

Os dados consolidados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para a população com 15 ou mais anos registam 7 043 016 católicos em 2021. Traduz-se numa variação negativa de 3,3% face aos 7 281 887 contabilizados em 2011. 

O grupo de cidadãos que declara não ter religião mais do que duplicou numa década, passando de 615 332 pessoas (6,8%) em 2011 para 1 237 130 (14,1%) em 2021. 

José Pereira Coutinho e Alfredo Teixeira observam que a não pertença confessional “não implica a ausência de crenças ou práticas religiosas”, embora o formato do questionário dos Censos não permita isolar estatisticamente os crentes sem igreja. 

Com base nos dados do Censos 2021, o universo das outras confissões cristãs representa 4,58% dos respondentes, somando mais de 400 mil pessoas, após uma subida de 36% na última década. 

Os protestantes e evangélicos representam 2,13% da população (186 832 pessoas), seguidos pela categoria de outros cristãos com 1,04% (90 948), pelas Testemunhas de Jeová com 0,72% (63 609) e pelos ortodoxos com 0,69% (60 381). 

As tradições religiosas não cristãs totalizam 1,14% dos residentes, perto de 100 mil indivíduos. 

A comunidade muçulmana lidera este conjunto, com 0,42% da população (36 480 crentes), seguindo-se outras religiões não cristãs com 0,28% (24 366), os hindus com 0,22% (19 471), os budistas com 0,19% (16 757) e os judeus com 0,03% (2910). 

As autoras do estudo, Helena Vilaça, Margarida Franca e Maria João Oliveira, recordam que o recenseamento de 2021 introduziu, por proposta da Comissão da Liberdade Religiosa, as novas opções de resposta relativas às Testemunhas de Jeová, aos budistas e aos hindus, além de associar a designação evangélica à categoria protestante. 

A apresentação pública da obra decorreu no dia 28 de outubro, na livraria a Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, em articulação com a plataforma interativa ‘Quantos têm a minha religião?’, promovida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. 

EG (c/Ecclesia)