Tomar | Bibliotecando celebra obra de Valter Hugo Mãe 

Valter Hugo Mãe é o autor homenageado na XVI edição do festival literário “Bibliotecando”, que decorre esta sexta-feira e sábado, na Biblioteca Municipal de Tomar. 

CARLA PAIXÃO 

Tomar volta a receber, nos dias 8 e 9 de maio, o Festival Literário Bibliotecando, um encontro que se afirma como espaço de reflexão e partilha em torno da literatura e do pensamento contemporâneo. Este ano, o autor homenageado é Valter Hugo Mãe, cuja obra será analisada por especialistas e leitores ao longo de dois dias de programação. 

Com Guilherme d’Oliveira Martins a presidir à Comissão de Honra, o evento resulta da organização conjunta de um vasto elenco de instituições, desde agrupamentos de escolas locais ao Município de Tomar, e várias entidades culturais e académicas. 

De acordo com  a organização do evento, este festival “pretende ser um espaço de partilha e de escuta, onde diferentes perspetivas se cruzam”, convocando áreas que vão da literatura às artes visuais, da política social às questões ecológicas e tecnológicas. 

Sob o tema “Entre o natural e o construído”, os debates propõem uma reflexão sobre “as tensões dialógicas entre essas duas realidades”, explorando o modo como se interpelam, se confrontam e se redefinem mutuamente. Para a organização, a relação entre o ser humano e os territórios que percorre “nunca foi de mera dominação ou contemplação passiva”, evocando o pensamento do filósofo Michel de Certeau, para quem “o espaço é um lugar praticado”.  

“As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem” (Valter Hugo Mãe) 

A reflexão estende-se ao presente, marcado pela emergência da inteligência artificial e das tecnologias digitais. Nesse contexto, é citado o filósofo Bernard Stiegler, que entende a tecnologia como forma de memória e elemento constitutivo da identidade humana. “Se o homem inventa a tecnologia, a tecnologia inventa o homem”, recorda a organização, sublinhando a dimensão recíproca dessa relação. Já o sociólogo Gérard Bronner é convocado para alertar para os riscos de uma “pós-realidade”, em que o construído pode suplantar o real. 

No centro desta edição estará a obra de Valter Hugo Mãe, descrito pela organização como “um autor com uma vasta, multifacetada e premiada obra”. O próprio escritor tem refletido sobre o papel das bibliotecas na formação individual. “As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir”, afirmou, numa ideia que a organização recupera como símbolo do espírito do festival.  

Durante dois dias, Tomar transforma-se, assim, num ponto de encontro para leitores, autores e pensadores. A organização reforça que o Bibliotecando pretende funcionar como um “local de embarque para viagens mediadas pelos convidados”, cruzando diferentes saberes e promovendo o diálogo, num “encontro que pretende ser um espaço de partilha e de escuta”.