Equipas comunitárias impulsionam cuidados de Saúde Mental no Médio Tejo
A Unidade Local de Saúde do Médio Tejo registou, em 2025, um dos melhores desempenhos nacionais no acesso à saúde mental, com 99,4% das consultas dentro dos prazos do SNS, resultado impulsionado pelo reforço das equipas comunitárias e pela resposta de proximidade aos utentes.
CARLA PAIXÃO
O Centro de Responsabilidade Integrado (CRI) de Saúde Mental da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo registou, em 2025, um desempenho próximo da totalidade no cumprimento dos tempos de resposta, com 99,4% das consultas realizadas dentro dos prazos definidos pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), segundo dados divulgados pela instituição.
O resultado representa uma subida significativa face a 2024, ano em que o indicador se fixou nos 90%, consolidando a evolução do serviço no acesso aos cuidados de saúde mental na região.
A par deste desempenho, 2025 ficou também marcado pela entrada em funcionamento das quatro Equipas Comunitárias de Saúde Mental — Ourém, Centro, Este e Oeste — assegurando cobertura a mais de 213 mil habitantes. Esta reorganização permitiu reforçar a intervenção no território e aproximar os cuidados dos utentes, sobretudo nos casos de doença mental grave e persistente.
Os dados de atividade revelam um aumento expressivo da resposta assistencial. Ao longo do ano foram realizadas 16.591 consultas médicas, sendo que mais de metade (53%) decorreram no âmbito das equipas comunitárias, superando a meta inicialmente definida. Foram ainda efetuadas 1.564 visitas e intervenções domiciliárias, abrangendo 253 doentes, enquanto o Hospital de Dia registou 3.260 sessões, mais 959 do que no ano anterior.
Também a capacidade de internamento foi reforçada, com o aumento de camas de 24 para 27. No final de 2025, o serviço acompanhava 934 utentes com doença mental grave ou crónica com terapeuta de referência atribuído, garantindo maior proximidade no seguimento clínico.
Equipa multidisciplinar sustenta expansão
O CRI de Saúde Mental assenta numa equipa de 68 profissionais, apoiada por 10 médicos internos, integrando áreas como Psiquiatria, Enfermagem, Psicologia Clínica, Serviço Social e Terapia Ocupacional. Este modelo multidisciplinar permitiu intensificar o trabalho em rede, traduzido em 266 reuniões interinstitucionais e 235 iniciativas de promoção e prevenção em saúde mental ao longo do último ano.
A atividade científica também registou crescimento, com participação em 132 reuniões, 26 comunicações e duas publicações com revisão por pares.
Novo ciclo aposta na inovação e expansão
Para o triénio 2026-2028, a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo prevê consolidar o modelo de psiquiatria comunitária, reforçar a articulação entre hospital e comunidade e expandir a cobertura territorial, nomeadamente com o alargamento da resposta ao Centro de Saúde de Alferrarede, em Abrantes.
Está ainda prevista a abertura de um novo edifício dedicado à pedopsiquiatria no Hospital de Nossa Senhora da Graça (Tomar), bem como a introdução de novas abordagens terapêuticas, como a utilização clínica de cetamina e da eletroestimulação magnética transcraniana.
Citada em comunicado, a diretora do CRI de Saúde Mental, Luísa Delgado, sublinha que “os resultados do projeto-piloto de 2025 mostram que é possível transformar a resposta em saúde mental no SNS com impacto real na vida das pessoas”, acrescentando que o serviço está a afirmar “uma saúde mental mais próxima, mais comunitária e mais resolutiva”.
Também o presidente do conselho de administração da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos, considera que “os resultados do CRI de Saúde Mental confirmam que a ULS Médio Tejo está a construir uma resposta de referência”, defendendo que o objetivo passa por consolidar “um modelo capaz de responder melhor à complexidade crescente das necessidades”.
O CRI de Saúde Mental da ULS Médio Tejo integra o projeto-piloto nacional lançado em 2024, que abrange 15 unidades locais de saúde, numa iniciativa acompanhada pela Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental e por entidades do setor.

