Campanha nacional para proteger peões, ciclistas e utilizadores de trotinetas | “Na estrada, todos somos vulneráveis” 

Mais de 25 mil utilizadores vulneráveis estiveram envolvidos em acidentes rodoviários entre 2022 e 2024, dos quais resultaram 421 mortos e 1.626 feridos graves. A nova campanha do Plano Nacional de Fiscalização 2026 arrancou esta semana com foco na proteção de peões, ciclistas e utilizadores de trotinetas elétricas. 

CARLA PAIXÃO 

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Polícia de Segurança Pública (PSP) estão no terreno desde terça-feira e até 27 de abril com a quarta campanha do Plano Nacional de Fiscalização (PNF) 2026, dedicada pela primeira vez aos utilizadores vulneráveis da estrada. 

Sob o lema “Na estrada, todos somos vulneráveis”, esta ação pretende alertar para os comportamentos de risco associados à circulação rodoviária, sobretudo em meio urbano e em estradas secundárias, onde se concentra a maioria dos acidentes graves envolvendo peões, ciclistas e utilizadores de dispositivos de mobilidade pessoal, como trotinetas elétricas. 

Segundo as entidades responsáveis, esta iniciativa reflete “a crescente diversidade de modos de deslocação”, especialmente dentro das localidades, e procura promover “uma convivência mais segura entre todos os utilizadores da estrada”. 

De referir que, as ações de sensibilização da ANSR decorrem em simultâneo com operações de fiscalização da GNR e da PSP, incidindo em zonas de maior circulação destes utilizadores, como passadeiras, cruzamentos, ciclovias e áreas de tráfego misto. 

Entre os comportamentos de risco identificados pelas autoridades estão, no caso dos peões, o atravessamento fora das passadeiras, a distração causada pelo uso do telemóvel ou auscultadores e o desrespeito pela sinalização luminosa. Já entre ciclistas e utilizadores de trotinetas, destacam-se infrações como circular em contramão, ignorar sinais de trânsito ou circular indevidamente nos passeios. 

A campanha dirige também um apelo aos condutores. As autoridades alertam para infrações frequentes como o excesso de velocidade em meio urbano, a falta de cedência de passagem a peões nas passadeiras e ultrapassagens sem a distância mínima de segurança de 1,5 metros em relação a velocípedes. 

Os dados da sinistralidade reforçam a preocupação das autoridades. Entre 2022 e 2024, cerca de 25 mil utilizadores vulneráveis estiveram envolvidos em acidentes com vítimas. Desses acidentes resultaram 421 mortos e 1.626 feridos graves, representando mais de um quinto da sinistralidade grave registada no país. 

No caso dos peões, registaram-se 327 vítimas mortais e 1.126 feridos graves. Já entre os utilizadores de velocípedes contabilizaram-se 94 mortos e 500 feridos graves. 

As autoridades sublinham ainda que a maioria dos acidentes ocorre em ambiente urbano: 73,5% dos acidentes graves com peões e 60,5% dos acidentes graves com ciclistas acontecem dentro das localidades e em estradas secundárias. 

“A sinistralidade rodoviária não constitui uma fatalidade”, sublinham as entidades promotoras da campanha, defendendo que “as consequências mais graves podem ser evitadas através da adoção de comportamentos seguros por todos os utilizadores da estrada”.