Furtos em estaleiros e armazéns
“Levam cobre e sucata para vender”
Nas últimas semanas têm-se multiplicado os relatos de furtos em estaleiros no concelho de Ourém. O Notícias de Ourém falou com três empresários que somam centenas de euros em prejuízos. As autoridades referem não existirem ocorrências “fora de padrão”.
EVA GOMES
Nas últimas semanas, após a tempestade Kristin, principalmente, têm surgido nas redes sociais relatos de canalizadores que foram vítimas de furto. Peças velhas de cobre, torneiras ainda em bom estado, sucata metalizada e ferramentas de grande valor foram levadas por autores desconhecidos.
O Notícias de Ourém falou com três vítimas destes assaltos, todos eles do concelho de Ourém. Somam prejuízos de centenas de euros. Estes são de Fátima, Atouguia e Gondemaria, mas garantem que existem mais vítimas “do mesmo grupo”.
A GNR, em resposta à interpelação do Notícias de Ourém, afirma não existir qualquer denúncia de furto em estaleiros, destacando apenas um assalto a “uma fábrica desativada, no Olival”. Nessa propriedade terão sido levados metais não preciosos, como fios elétricos.
“Por agora, as coisas estão calmas em Ourém”, afirma o comandante João Moderno, do destacamento de Tomar. “Comparativamente ao ano passado, em que na mesma época existiu um pico de furtos de metais não precioso, por agora, não existe nada fora do padrão”, conclui.
“Foi em fila, de Fátima a Santa Catarina”
Apesar das autoridades não terem registo de furtos em estaleiros, Duarte Rodrigues, de Fátima, garante que “foram uns quatro assaltados, todos na mesma altura”. De acordo com o canalizador, os seus colegas de profissão contam terem sido levados inúmeros materiais de cobre e de latão.
“Tudo em Santa Catarina da Serra e em Fátima”, afirma, contando que foi quase “em fila que nos assaltaram”. O seu estaleiro terá sido furtado no fim de semana de 28 de fevereiro e 1 de março, mas não consegue precisar, pois não estava ninguém no local, e “a nossa câmara de vigilância não estava a funcionar na altura”.
Foram levados materiais “de onde era mais acessível, sucata de cobre e latão e, dentro do estaleiro, tiraram tudo o que era metais amarelos”. Acrescenta que foram furtados também “acessórios que estavam em contentores de plástico”, deixando apenas estes recipientes na rua, vazios.
Duarte Rodrigues acredita que estes furtos são perpetuados pelo mesmo grupo, pois todos os visados descrevem ter visto um veículo, nos locais assaltados, cuja descrição é coincidente.
O canalizador não crê que as autoridades cheguem a uma resolução do caso. “Disseram-me que têm de ser apanhados em flagrante delito” e, por isso, não apresentou uma denúncia contra desconhecidos.
O sentimento de descrédito nas autoridades é partilhado por Francisco Bento, da Atouguia. No mesmo fim de semana em que o estaleiro de Duarte foi assaltado, o seu também foi. “Por duas vezes”, salienta.
As imagens das câmaras de videovigilância mostram o grupo de indivíduos, numa carrinha branca, a levar a “sucata que lá tinha”. “Foram dois cilindros, em cobre, e 20 quilos de sucata metalizada”, explica o canalizador da Atouguia.
“Partilhei as imagens no Facebook para alertar a população, nem cheguei a fazer denúncia contra desconhecidos, porque não ia dar em nada”, justifica Francisco.
“Os metais como o cobre estão agora a valer mais e deve de ser por isso que estão a atacar mais nesta altura”, teoriza Francisco Bento. A finalidade destes furtos, creem os canalizadores, “é vender a terceiros”.
António Alexandre, da Gondemaria, também foi alvo deste grupo de assaltantes. No seu caso, o crime ocorreu “passado pouco tempo da tempestade, mas não consigo dizer quando foi porque só me apercebi mais tarde”.
Sem câmaras de videovigilância e rodeado por floresta, foi o local ideal para assaltar, de acordo com o canalizador. “Foram cerca de 20 quilos de restos de cobre, que tinha para vender a um amigo meu, que é sucateiro”, explica.
“O cobre, se não me engano, está a 50 euros o quilo”, refere António. “Quem levou sabia o valor que lá estava”, sublinha.
Sem motivo para alarme
O Notícias de Ourém entrou em contacto com os presidentes de junta das freguesias de cada um daqueles canalizadores, de forma a perceber a dimensão do problema.
Luís Oliveira, presidente da junta de freguesia de Atouguia, afirma ter conhecimento do furto ocorrido no estaleiro de Francisco Bento. “Falei com o Francisco e mostrou-me as imagens, e também sei que não deram seguimento à denúncia”, relata.
“Deixo um alerta para que as pessoas tenham mais cuidado e se manterem atentas”, acrescentando que, por agora, “não há motivo de alarme”, por ter sido um caso isolado.
Carlos Neves, presidente da junta de freguesia de Fátima, e Carlos Coelho presidente da junta de freguesia de Gondemaria, não tinham conhecimento destas ocorrências.
“Na cidade de Fátima não há sensação de insegurança”, salienta Carlos Neves. Deixa claro que são ocorrências episódicas, e que não deve de existir alarme.
Carlos Coelho reforça este sentimento, esclarecendo que, “por agora, não há situação para alarme”.

